História de Caeté

caete.1

Caeté é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Sua população estimada em 2004 era de 37.863 habitantes.

É neste município que se encontra a Serra da Piedade. No alto, há um santuário católico que recebe romeiros há muitas décadas. No mesmo lugar, funciona um observatório da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O nome antigo era Vila Nova da Rainha.

«Caeté» é nome de origem controvertida. A versão mais aceita é a dos sábio alemães Spix e von Martius e outros historiadores, que atribuem a origem à junção de termos indígenas que significam «mato» ou «mato denso». Chamava-se antigamente sertão de Caeté a todo o sertão de Minas após a Itaverava. Segundo o governador Artur de Sá e Menezes, desde 1697 haveria no que ele chama Caeté quatro mil forasteiros catando ouro. Em carta de 1705 Filipe de Barros Pereira, amanuense de Garcia Rodrigues Pais, calcula os mineiros em 50 mil – ocupados em catar, em negociar, vendendo e comprando ouro. Desde 1702 houve providências do Rei, como se vê de sua Carta Real a D. Rodrigo da Costa em 20 de outubro. Nessa nova Canaã pouco pastoral, havia rios gordos de lama, sedimentos que acabam arrastando para o fundo o pó pesado do metal precioso.

Começou a ser povoada por volta de 1701 pelo Sargento-Mor Leonardo Nardez e os irmãos Antonio Leme Guerra e João Leme da Guerra como fundadores do arraial. Em 1703 já arraial, paróquia logo, e colativa em 1724. O primeiro vigário foi o padre Henrique Pereira.

Por volta de 1705 os principais moradores eram Manuel Nunes Viana, Manoel Rodrigues Soares seu primo, Sebastião Pereira de Aguilar, seus parentes Antonio, José e Miguel Pereira, Luis do Couto, frei Simão de Santa Teresa, o fundador da primeira capela do lugar, e os paulistas Borba Gato, Guarda-Mor e Tenente General do Rio das Velhas, Valentim e Jerônimo Pedroso de Barros.

Em 12 de outubro de 1708 Borba Gato, Regente do Rio das Velhas, mandou afixar na porta da igreja um edital ordenando a Manuel Nunes Viana retirar-se em duas horas, mas Nunes Viana o rasgou. Outro incidente foi o que envolveu José Pardo.

Em 29 de janeiro e 14 de fevereiro de 1714 D. Brás Baltazar da Silveira criou ali a Vila Nova da Rainha. A matriz acabada em 1765 foi dedicada a Nossa Senhora do Bom Sucesso, sendo o arquiteto Bracarena, sua obra-prima nas Minas Gerais.

Tal foi a decadência com o fim do ouro que voltou a condição de arraial, só retornando à posição de vila em 1840. É cidade sem especial apelo turístico mas possui três boas construções do século XVIII: a Biblioteca Pública Municipal, a Matriz de Caeté e o Solar do Barão de Catas Altas, hoje um museu.

O município tem pouca cultura turística mas vale a pena ser visitado em razão da bela matriz. Foi local de nascimento da Guerra dos Emboabas pois o estopim se acendeu por conta de incidentes banais envolvendo arroubos de valentia que confrontaram famílias poderosas do arraial. Caeté agregava migrantes baianos que, com os reinóis ou portugueses, formaram o grosso das fileiras dos emboabas. Dali partiram os contingentes que sob o comando do caudilho Manuel Nunes Viana seguiram para as primeiras batalhas com os paulistas da região de Sabará, Ouro Preto, Ribeirão do Carmo e Guarapiranga o que culminou no famoso massacre do Capão da Traição, nas cercanias de São João del-Rei.

O conflito teve seu termo em Caeté quando o governador Antônio de Albuquerque Coelho convenceu Manuel Nunes Viana a se retirar para sua fazenda na Bahia, no Jequitaí. Anos mais tarde voltou para importunar o governador D. Pedro de Almeida Portugal, conde de Assumar, resultando disso seu retorno forçado para Portugal – onde veio a falecer confortavelmente sobre uma fortuna considerável amealhada em suas muitas atividades nas Minas Gerais, da mineração à pecuária.

Em Caeté morava a tia do inconfidente José de Sá Bittencourt – D. Maria Isabel de Bittencourt e Sá. José morou em Caeté, antes de fugir para a Bahia. Voltou à época da morte da tia para assegurar sua parte na herança. D. Maria foi obrigada a pagar duas arrobas de ouro para livrá-lo de ser condenado pela participação na Inconfidência Mineira. Diz a lenda que não tinha todo o ouro para pagar a propina exigida pelos juízes do tribunal da Alçada. Assim, rezou a Nossa Senhora do Bom Sucesso. Depois da penitência, tocou a cavar embaixo de umas touceiras em suas vastas propriedades e achou alguns quilos de bom ouro reluzente, exatamente o que precisava para completar a cota exigida pelos juízes corruptos. É bem possível que tenha feito substanciosa doação para sua santa protetora, em agradecimento pela graça recebida, provindo dela parte do acervo da maravilhosa Matriz de Caeté.

 

 

Fonte:  http://caeteemminasgerais.blogspot.com.br/2007/09/histria-de-caet.html

Copyright © GUIA DA ESTRADA REAL - O seu guia de bolso