História de Bias Fortes

bias fortes

Bias Fortes é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo realizado pelo IBGE em 2010, sua população é de 3.796 habitantes.
Topônimo
Bias Fortes teve, primitivamente, a denominação de “Quilombo”, por haver sido em tempos remotos guarida de muitos negros chamados quilombolas. Esse nome perdurou por longos anos; mais tarde, porém, foi mudada para União, em virtude do Decreto Municipal n. 148 de 20 de Maio de 1896, que regulamentou a Lei n. 5 de 15 de Fevereiro de 1896, do Conselho Distrital. Atualmente recebeu o nome de Bias Fortes, prestando homenagem à memória do democrata barbacenense Crispim Jacques Bias Fortes.

Origem e formação
Nas investigações feitas não foi possível determinar com rigor cronológico a data certa em que se estabeleceu nestas paragens a primitiva comunidade que deu origem ao agrupamento de famílias, para se constituírem em coletividade.

O certo é que, em 1826, a povoação de Quilombo já gozava da categoria de distrito, com autoridades administrativas e policiais legalmente constituídas, como se constata pela leitura dos documentos mais antigos.

Entre os documentos aludidos, cita-se as atas lavradas no livro Termo de conciliação de Bem Viver, aberto e rubricado pelo juiz de paz, por nome de José Ribeiro de Almeida, livro que leva o reconhecimento público do juiz municipal de Barbacena, pertencente, nesta data, à comarca do Rio das Mortes.

Parece bem provável que o povoado de Quilombo foi elevado a distrito em 1822, por ocasião da elevação de Barbacena à categoria de vila.

O Arraial de Quilombo, como o nome indica, tem sua origem na concentração de escravos fugitivos, que fixaram a residência precária num reduto de terra compreendido entre a confluência de dois rios: Quilombo e Vermelho.

Esta circunstância relembra uma nota muito salientada em todos os tratados histórico-sociais sobre a comunidade e a sociedade, denominados hoje Introdução à Sociologia: as vias aquáticas na formação das primitivas comunidades.

A história da colonização comprova que as primitivas comunidades se concentraram em torno de bacias fluviais ou marítimas, concentrações humanas origem de ulteriores núcleos urbanos, que na maior parte dos casos se constituem berço de florescentes metrópoles.

Seguindo esse princípio importante na história da civilização, constituíram no caso, a primitiva comunidade, denominada durante muitos anos Arraial de Quilombo, que em 1826 pertencia à categoria de distrito.

Tendo em mente a lenta evolução que se observava no Estado de Minas Gerais, na época a que se refere, depreende-se que a primitiva história do Quilombo remonta, presumivelmente aos primitivos anos da segunda metade do século XVIII, já que em 1826 não existia mais o quilombo etimológico e histórico, e sim uma comunidade regularmente constituída, com vida associativa rudimentar, porém civil e eclesiasticamente organizada, denominada Quilombo mais por respeito à origem do que pela situação social e histórica.

Evolução do Quilombo
A primitiva comunidade de Quilombo, não obstante sua conformação étnica, viu-se na contingência de descrever uma trajetória oprimida, imposta pelo domínio do homem branco, que procurava estabelecer contato com os refugiados dos redutos para usufruir da sua energia e do seu trabalho.

O certo é que os primitivos quilombolas viveram durante muitos anos num estado rudimentar de vida social. Sua condição de escravos, e ainda, de negros, fugindo dos pesados anéis da corrente torturadora, inspirou-lhes o saudosismo africano, reproduzindo assim uma vida precária, especificada por instintos de povos e tribos e por ódio ao branco, seu algoz e opressor. Parece ser lei inexorável da evolução a luta e o sacrifício; e essa lei se aplica também ao caso, pois nos consta que o contato dos quilombolas com os brancos se realizou depois de constantes lutas.

Apesar da revolta dos negros, os senhores dominaram a região e formaram-se as grandes fazendas. Havia, contudo um ponto comum entre eles: o pensamento voltado para Deus. Como prova disso, em 1819 iniciaram a construção da Capela Nossa Senhora das Dores do Quilombo, que contou com o braço forte do negro. Nessa época a comunidade de Quilombo já possuía autoridades policiais e eclesiásticas legalmente constituídas.

Passados os anos, já extinta a escravidão no Brasil, os brancos e negros, habitantes dessas região encontraram paz, harmonia e juntos começaram a trabalhar em prol da comunidade.

Distrito de União
Inspirados e orientados pelo Professor Antônio Marques da Rocha Sobrinho, os moradores decidiram mudar a denominação do Arraial de Quilombo para Arraial de União o que se efetuou em 20 de Maio de 1896.

A vida social era animada pelas festas religiosas, das quais o povo da zona rural também participava. Para transportar seus utensílios domésticos para o arraial, usavam o carro de bois, enquanto as senhoras vinham montadas em cavalos arreados com cilhões.

Nas festas nunca faltavam a presença do caixeiro-viajante (camelô), que trazia de outras paragens artigos não existentes no lugar.

Um dos fatores básicos da economia de União foi, como é até hoje, a pecuária, cujos produtos derivados (toucinho e queijo) eram transportados para outros centros comerciais: isso se fazia por meio de tropas, conduzidas pelo tropeiro, que procuravam equipar bem seus animais. À frente da tropa vinha a madrinha, sempre bem enfeitada com fitas coloridas, e, no peitoril, o cincerro (pequena campainha).

Pelo Decreto-Lei Estadual n. 148 de 17 de Dezembro de 1938, o Distrito de União foi emancipado, transformando em município, com o nome de Bias Fortes, homenageando-se o grande democrata Crispim Jacques Bias Fortes.

 

 

Fonte: Wikipédia

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